Audiência pública na Câmara de Parnaíba reuniu autoridades, especialistas e familiares para debater os desafios e avanços no atendimento a pessoas com autismo
A direção do Centro Especializado em Reabilitação (CER IV) participou de uma audiência pública realizada pela Câmara Municipal de Parnaíba, voltada à conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O encontro reuniu autoridades, profissionais da saúde, representantes de instituições e membros da sociedade civil para discutir políticas públicas, desafios e avanços no atendimento à população autista no município.
Paulo Rangel, diretor do CER IV, unidade gerida pelo Instituto Saúde e Cidadania (ISAC), com apoio da Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi), destacou o aumento significativo na demanda por serviços especializados e os desafios enfrentados para atender a essa crescente necessidade.
A unidade atende crianças já diagnosticadas e também em processo de investigação, com destaque para a faixa etária entre 3 e 12 anos de idade. No entanto, a procura por terapias tem superado a capacidade atual de atendimento, segundo o diretor.
“O número de pessoas que necessitam de acompanhamento é maior do que a oferta disponível, o que evidencia a necessidade de ampliação dos serviços, porque observamos as melhoras dos pacientes. Hoje, são cerca de 310 crianças sendo atendidas no CER IV”, afirma.
Outro ponto destacado pelo diretor foi a necessidade de ampliar a rede de atendimento para pessoas com autismo na fase adulta, ainda considerada limitada no município.
Também foi reforçada a importância da integração entre o poder público e a sociedade civil para garantir direitos e fortalecer políticas públicas voltadas às pessoas com TEA, com foco na ampliação do acesso e na redução das filas de espera.
*Desafios do dia a dia e acompanhamento multidisciplinar*
Durante a audiência pública, a mãe atípica Regina Maria Souza abordou sobre os desafios enfrentados no dia a dia, especialmente no ambiente escolar. Segundo ela, muitas instituições ainda não estão preparadas para lidar com situações mais complexas envolvendo crianças com autismo.
“Não se trata de culpar ninguém. Essa responsabilidade não é de um único profissional, mas é preciso reconhecer que as escolas ainda precisam estar mais preparadas para oferecer o suporte necessário”, ressalta.
Representantes do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) e da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Parnaíba também contribuíram com o debate, reforçando a importância do acompanhamento multidisciplinar.
Já a diretora pedagógica Francisca Maria de Andrade da Costa e o psicólogo Edvaldo Alves Daniel Filho destacaram a necessidade de apoio contínuo às famílias.
A audiência contou também com a presença de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Piauí (OAB-PI), e da Subcomissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Autismo da OAB, Subseção de Parnaíba.






















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